A surpresa mais comum
Uma pessoa financia R$ 300.000, paga 24 parcelas rigorosamente em dia e, ao pedir o extrato, descobre que ainda deve cerca de R$ 310.000. A sensação é de que o dinheiro pago desapareceu — mas não houve erro do banco nem cobrança indevida: o contrato é corrigido mês a mês pelo IPCA.
A ordem dos fatores muda o resultado
Em um contrato indexado ao IPCA, todo mês acontecem três passos, nesta ordem:
- 1. Correção: o saldo devedor inteiro é atualizado pela inflação do mês. Com IPCA de 0,40%, uma dívida de R$ 300.000 vira R$ 301.200 antes de qualquer pagamento.
- 2. Juros: a taxa contratual incide sobre esse saldo já corrigido.
- 3. Amortização: só então a parte da sua parcela destinada a abater a dívida é descontada.
Nos primeiros anos, a amortização mensal costuma ser menor do que a correção aplicada sobre um saldo grande. Resultado: a dívida sobe mesmo com pagamento em dia.
Price agrava a sensação, SAC alivia
Na Tabela Price, as primeiras parcelas são quase todas juros e amortizam muito pouco — por isso o saldo parece travado ou crescente por muito mais tempo. Na Tabela SAC, a amortização é constante e maior desde o primeiro mês, então o saldo passa a cair mais cedo.
Quando isso estabiliza
O ponto de virada acontece quando a amortização mensal supera a correção monetária do mês. Com inflação em torno de 4% ao ano, contratos em SAC costumam virar a curva bem antes do meio do prazo; em Price, isso pode levar mais de um terço do contrato. A partir daí, o saldo cai de forma contínua até a quitação.
Acompanhe o extrato anual, confira se o índice aplicado corresponde ao IPCA oficial do IBGE e considere amortizações extraordinárias para encurtar o tempo de exposição à inflação.